
A taxa de desemprego oficial (9,8%) de Portugal no terceiro trimestre coloca o nosso país acima do desemprego médio na zona euro (9,6%) e no conjunto da União Europeia (9,1%), se considerarmos as taxas divulgadas pelo Departamento de Estatísticas da UE (Eurostat).
Segundo a metodologia oficial, existiam em Portugal no terceiro trimestre 547,7 mil desempregados estimados pelo INE, a que se devem somar 96,5 mil pessoas que queriam trabalhar mas que a metodologia classifica como inactivos (dados do INE), totalizando quase 645 mil pessoas sem emprego, a que corresponde uma taxa de desemprego de 11,4% depois de corrigida a população activa.
Se a estes dados somarmos as mais de 66 mil pessoas que queriam trabalhar a tempo inteiro mas só conseguem emprego a tempo parcial (dados do INE), teremos mais de 710 mil desempregados e subempregados.
Estes números não contabilizam desempregados “ocupados” em acções de formação profissional nem os dispostos a trabalhar mas que responderam não à pergunta sobre se estavam disponíveis para trabalhar “remunerados ou não”. Nem todos estão dispostos a trabalhar para aquecer.
A merecer destaque no terceiro trimestre, a descida homóloga (face ao mesmo período de 2008) de 3,4% no emprego total e a quebra de 1,2% face ao trimestre anterior, de acordo com o INE.
A
crise do turismo está bem patente pela redução homóloga de 11,1% do emprego no alojamento e restauração no período Julho/Setembro, em plena época alta do turismo, e pela diminuição de 1,9% face ao trimestre anterior, com a taxa de desemprego a atingir 10,3% no Algarve, idêntica à de Lisboa e apenas abaixo da de 11,6% vericada na região Norte, segundo o INE.
Num momento em que tanto se fala de tecnologia e de plano tecnológico, o emprego nas actividades de consultoria, científicas e técnicas teve a maior queda no terceiro trimestre, com um recuo de 12,5%, acima da queda de 10% da mão-de-obra na construção, indica o INE.
Quase 850 mil pessoas, mais de um quinto (22%) dos trabalhadores por conta de outrem, tinham no terceiro trimestre contratos a prazo ou outros vínculos precários.
Apesar do grande acréscimo de desemprego nos últimos meses, próximo de metade dos desempregados estão à procura de trabalho há mais de um ano e 144 mil há mais de dois anos.
O desemprego oficial registou no terceiro trimestre um acréscimo homólogo de 26,3% e subiu 7,9% face ao trimestre anterior.
A evolução recente do desemprego, conjugada com a previsão de que a actividade económica se mantenha anémica em 2010, mesmo que não se verifique um recuo, leva a prever que no fim do próximo ano mais de um em cada oito portugueses activos esteja sem trabalho.
* - Fernando Valdez é, actualmente, jornalista (carteira profissional nº 250) na Agência Lusa e membro do Conselho Fiscal do Centro de Formação de Jornalistas (CENJOR) em representação do Sindicato dos Jornalistas. Iniciou a carreira profissional em 1973 nas Publicações Nova Idade, na área do turismo. Após passagens pelas agências ANI e ANOP transitou para a Lusa. Colaborou em diversas publicações na área da economia (semanário O Jornal, Semanário Económico, revista económica Classe, revistas semanais Sábado e Época, jornais diários Correio da Manhã e Diário de Notícias). Colaborou, ainda para a revista Exame, jornal Público e revista Cadernos Empresariais. Escreveu suplementos nas áreas dos seguros, telecomunicações, construção e indústria e comércio automóvel.
Fernando Valdez venceu o prémio de jornalismo de seguros da Império em 1988 e 1989. Em 1996 recebeu o primeiro prémio de jornalismo económico do INE. Foi formador no CENJOR num curso para jornalistas de Cabo Verde.