«A Peneda Gerês está classificada como parque nacional. Mas as pessoas em geral não reconhecem a importância de terem um parque nacional no seu País». É desta forma que Sónia Almeida, coordenadora técnica da ADERE- Peneda Gerês - entidade privada sem fins lucrativos, que desenvolve a sua actividade nas regiões dos cinco concelhos abrangidos pelo Parque Nacional da Peneda Gerês (
PNPG) – analisa ao
Café Portugal a forma como os cidadãos olham para o Parque.
Apesar de reconhecer que as autarquias «estão envolvidas» na dinamização e promoção do Parque Nacional da Peneda Gerês, a nossa interlocutora considera que não só as «populações como os visitantes, e o próprio país, ainda não perceberam a importância de termos um parque nacional como este em Portugal, tal como têm outros países».
«As pessoas deviam olhar para o parque com orgulho e, muitas vezes, acaba por ser tratado como mais uma coisa que existe em Portugal. É mais valorizado, por vezes, pelos estrangeiros, que o procuram para fazer ecoturismo do que propriamente por portugueses», salienta.
Questionada sobre o novo Plano de Ordenamento do Parque Sónia Almeida refere que o documento «conseguiu chegar a bom porto», apesar das críticas de alguns municípios. «Tem sempre coisas que não agradam às autarquias, como por exemplo, o facto de no concelho de Ponte da Barca não poder haver, dentro da zona do parque, eólicas. Depois há, também, algum descontentamento relativamente a restrições nalguns concelhos com as zonas de caça associativa, já que as áreas alargaram um pouco para proteger algumas espécies», frisa.
Produtos endógenos
Sobre os produtos endógenos do Parque, a responsável da ADERE realça: «tentamos sempre nos nossos projectos ver quais são as necessidades locais, do parque, das câmaras e mesmo das populações, e fazer projectos que vão ao encontro dessas necessidades».
Sónia Almeida sustenta que, em termos de produtos locais, «existe o artesanato que é um projecto muito importante, temos o projecto ‘Parques com Vida’ que acabou por promover aqueles produtos de qualidade». Todavia, sublinha que se registou «muita dificuldade em definir o conceito de produto local».
«Chegámos a uma série de requisitos para definir um produto local, e desde que esses produtos sejam vendáveis, havendo mercado para eles, não há problema em serem promovidos», afirma.
Sobre a comunicação e articulação com o Parque espanhol do Xurês (na Galiza), Sónia Almeida explica que actualmente estão a ser desenvolvidos projectos em conjunto. «Já há muito tempo que se desenvolvem projectos de biodiversidade em conjunto com o Xurês. Desde 2008, altura em que os parques foram considerados reserva da Biosfera, essa interacção tornou-se mais notória e maior», reforça; acrescentando que irá realizar-se uma candidatura e programa comunitário para a promoção conjunta dos dois territórios como reserva da Biosfera.
Criada em 1993, a ADERE- Peneda Gerês tem uma actuação centrada no desenvolvimento de projectos financiados pela União Europeia e pelo Estado Português, com o intuito de contribuir para a melhoria das condições de vida das populações residentes e para a valorização e conservação do Património Natural e Construido.
Com a implementação destes projectos a ADERE faz, ainda, a promoção e divulgação das regiões a nível externo, quer junto dos visitantes e turistas que procuram os serviços da Central de Reservas da ADERE, quer através da publicação de anúncios promocionais em jornais regionais e nacionais e realização e participação em feiras (em Portugal e em Espanha).
Paralelamente desenvolve acções de Formação Profissional para residentes nas Regiões do PNPG (condição preferencial) com a finalidade de dotar os participantes de conhecimentos que lhes permitam melhorar o seu desempenho profissional ou criar novas fontes de rendimento complementares à agricultura.
Recorde-se que os cinco concelhos que integram a área do Parque Nacional da Peneda Gerês são: Arcos de Valdevez, Melgaço, Montalegre, Ponte da Barca e Terras de Bouro.