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Olivença - «A singularidade de terra de fronteira aberta a duas culturas»

Com perto de 50 mil visitantes por ano a localidade fronteiriça de Olivença faz do património, cultura e história uma base de atracção. Servando Rodríguez Franco, do Turismo de Olivença, sublinha o potencial da região. Ao património monumental, militar e civil aquele responsável acrescenta outras dimensões: o turismo de natureza ancorado na barragem de Alqueva e na Serra de Alor.

Ana Clara | quarta-feira, 7 de Julho de 2010

O responsável começa por explicar que a cidade espanhola caracteriza-se por «um turismo de interior» dentro da oferta cultural e histórica, «aproveitando o importante conjunto monumental construído por Portugal e que oferece ao visitante essa singularidade de terra de fronteira aberta a duas culturas».

Por ano, visitam Olivença cerca de 50 mil pessoas. Mas a Câmara local quer mais. Servando Rodrígues Franco refere que no sentido de aumentar a oferta turística, Olivença participa em várias iniciativas, das quais destaca a de integrar a rede de Cidades e Vilas Medievais (que actualmente abrange 12 povoações medievais na Península Ibérica, duas delas portuguesas, Marvão e Belver).


Quem chega a Olivença e desconhece totalmente aquela região e a sua cultura, tem à sua disposição bastantes pontes de interesse para visitar, ligados, como refere Servando Rodríguez Franco, «ao turismo de interior, e mais especificamente ao turismo Cultural e Artístico».

Olivença cultural

Em Olivença, o responsável destaca o estilo manuelino da Igreja da Madalena (mandada construir por D. Manuel I e impulsionada por Frei Henrique de Coimbra para sede do bispado de Ceuta no século XVI) e o portal da Câmara Municipal.

Servando Rodrígues Franco descreve, assim, os locais que não podem ficar de fora do roteiro: «a capela da Misericórdia apresenta um conjunto azulejar de Manuel dos Santos (1723) que preenche todos os muros da capela e três retábulos barrocos ao gosto português. A igreja matriz possui um retábulo, o maior em dimensões de toda a península, com o motivo da árvore de Jessé, que acaba de ser restaurado. As duas igrejas paroquiais apresentam também acrescentos do século XVIII, muito relevantes, como a azulejaria historiada e a talha dourada».

Tendo sido Olivença uma praça-forte na fronteira, desde os tempos de D. Dinis até 1868, «há também uma série de monumentos militares importantes: a ponte da Ajuda sobre o Guadiana, a muralha medieval com as suas portas e castelo com uma soberba torre de menagem, a muralha abaluartada com uma magnífica porta de mármore».

«Em resumo, os pontos de interesse de Olivença constituem a singularidade de ofertar cultura portuguesa dentro de Espanha», considera. Adianta que Olivença oferece igualmente arte portuguesa. «Da época espanhola (últimos 209 anos) não se destacam edifícios monumentais ou artísticos. É precisamente esta singularidade de encontrar um pedaço de Portugal dentro de Espanha que constitui o ponto forte da oferta turística de Olivença», afirma.

Quanto ao futuro e às apostas turísticas que a autarquia local tem em vista, a estratégia passa pelo «alargamento do leque da oferta, para não ficarmos só pela temática monumental e artística e desenvolver as potencialidades que Olivença tem em matéria de turismo de natureza».

E exemplifica: «a Serra de Alor, com uma flora interessante, o rio Guadiana (corredor ecofluvial para avistamento de aves), e a potencialidade nova da barragem de Alqueva, que está a dar os frutos já com alguns empreendimentos do lado de Olivença: ancoradouro de Vila Real, por exemplo».



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