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Confraria de Chaves - Valorizar produtos locais para desenvolver economia

A Confraria de Chaves, constituída em Novembro de 2008, surgiu para «dar visibilidade aos produtos gastronómicos do concelho», contou, ao Café Portugal, o Grão-mestre, Carlos Botelho.

Sara Pelicano | sábado, 21 de Fevereiro de 2009

Café Portugal - A Confraria de Chaves nasce em Novembro 2008. Podemos entender a sua criação como um colmatar na falta de uma defesa forte do património gastronómico e cultural de Chaves ou, por outro lado, como um reforço a essa defesa?
Carlos Botelho -
A Confraria de Chaves vem suprir a necessidade de valorização de uma das nossas maiores riquezas que é a cultura gastronómica do Concelho de Chaves, que representa um importante pólo de atracção para a região. Este é um sector de actividade vital e que ocupa uma percentagem significativa dos agentes económicos.
Ao dar visibilidade a tão importante factor, acreditamos poder conseguir mobilizar esforços conjuntos, no sentido da motivação, produção, consumo e comercialização e a notoriedade não apenas do tão famoso Presunto, deliciosos Pastéis ou célebre Folar de Chaves, mas também do próprio Concelho de Chaves.
A Confraria surge na sequência, também, da saudade e do apelo de todos aqueles que estando fora, desejam poder ter acesso aos produtos da sua terra, sempre com qualidade garantida da origem e chancela que a Confraria lhes vai poder proporcionar.

CP - «Preservar e promover as tradições gastronómicas da região». Em que frentes será desenvolvido este trabalho?
CB -
Sabemos que, ao «preservar e promover as tradições» estamos a garantir a genuinidade e as boas práticas quanto à produção e fabrico de produtos cuja origem e «saber fazer» devem ser escrupulosamente respeitados sem por isso deixar de motivar a investigação e a inovação, tendo sempre presente as tradições e os valores ancestrais.
A promoção é, como sabemos, uma ferramenta indispensável nos dias de hoje sem a qual dificilmente se consegue o sucesso nesta ou em qualquer outra causa. Será ponto de partida e alavanca da Confraria de Chaves cuja preocupação recai no primado da excelência dos produtos tradicionais, projectando-os como património colectivo numa dimensão universal.

CP - Têm uma agenda de actuação abrangente. Como pensam articular o trabalho entre as diversas vertentes?
CB -
Há que distinguir competências, respeitando os diferentes cenários de actuação, e elaborar planos específicos para cada acção. Neste sentido, para além das parcerias estratégicas, importa reforçar a qualidade e diversidade dos membros fundadores que hoje constituem a Confraria de Chaves, cuja intervenção rentabilizará os nossos objectivos.

CP - Quais os eventos que já estão agendados?
CB -
Dos eventos agendados e constantes do plano de actividades contamos poder levar a cabo, entre outras, as seguintes acções: feira Saberes e Sabores de Chaves, I Capítulo da Confraria de Chaves, I feira Agro Biológica de Chaves, I Festa das Colheitas.

CP - Contam com o apoio de instituições públicas e/ou privadas?
CB -
A Confraria de Chaves tem, desde o inicio, com a autarquia uma noção de complementaridade, bem como uma visão assente no manifesto interesse público do programa, razão pela qual aguardamos o apoio oficial através da disponibilização dos meios necessários para a concretização dos objectivos.
No sequência do plano de acção contamos com o acordo protocolar com a APHORT - Associação Portuguesa de Hotelaria, Restauração e Turismo, a quem pretendemos dar a conhecer ou levar o melhor da gastronomia da nossa região, em condições muito vantajosas.
Entretanto, está previsto, para breve, a assinatura do protocolo com a Associação dos Directores de Hotéis de Portugal, bem como o já realizado com a Cooperativa Agrícola de Chaves.
Note que sem uma visão de responsabilidade social não seria possível levar a cabo este projecto que pretende romper com a ideia comum de que as confrarias se juntam apenas à mesa para comer e confraternizar.

CP - Qual a receptividade dos produtores em relação à Confraria?
CB -
A afluência ao stand institucional da Confraria de Chaves na Feira dos Sabores e Saberes, bem como as informações solicitadas quanto às condições de admissão, permite perceber que há na sociedade flaviense e não apenas, enorme sensibilidade e entusiasmo para valorização do património gastronómico tradicional. A apresentação visou sobretudo divulgar, junto do público, os mecanismos de acção da Confraria que conta já com a sua sede bem perto do recinto da feira e junto ao Mercado Municipal.

CP - Pode fazer-nos um ponto da situação em relação à preservação dos produtos e valores associados à região?
CB -
A preservação dos produtos e valores mais do que matéria ideológica, passa essencialmente pelo apoio a quem os produz, e que têm sido vítimas de um conjunto de dificuldades não obstante serem os «valores maiores» da gastronomia. Nos últimos anos houve esforços no sentido da reabilitação dos produtos locais, cabendo às cozinhas regionais a materialização da vontade da autarquia em dinamizar o sector, que constrangido com as medidas legais pouco mais poderia fazer. Hoje, o cenário alterou-se, um pouco à luz de recentes derrogativas legais, mas que ainda assim exige muito trabalho para poder potenciar aquilo que de melhor temos: o valor humano e o saber fazer, no único local possível, o de origem.

CP - Qual a ligação com a «Loja do Confrade»? É seu objectivo tornar viável em termos comerciais os produtos da região e encontrar canais de distribuição? Como vai funcionar?
CB -
Faz parte do princípio da Confraria estabelecer protocolos e parcerias com entidades cuja acção constitua um valor acrescentado ao projecto, e deste modo possa atingir com maior eficácia os seus objectivos. A Loja do Confrade é um conceito comercial autónomo que, se for associado à Confraria, complementa na prática a sua acção, ao servir de plataforma logística e comercial nos canais e mercados ao seu dispor – sejam eles, on-line, nos grandes centros, ou junto às comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo que, deste modo, vêem chegar a si o genuíno «sabor e saber» da sua terra.

CP - A imagem do vosso site é um apelo à modernidade e uma ligação às novas tecnologias. É preciso mudar a imagem que as Confrarias passam à generalidade dos públicos?
CB -
Na tecnologia empregue no site, utilizamos uma plataforma CMS para que possa ser mais fácil receber contributos dos nossos confrades, nas diferentes áreas de especialidade, colocando-lhes ao dispor esta ferramenta de gestão de conteúdos. Esperamos que o site, para além de graficamente apelativo, seja rico em conteúdo científico, de informação útil, procurando estar actualizado, que espelhe a realidade da nossa terra e se transforme num veículo privilegiado da rica Gastronomia e das coisas de Chaves.

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