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Turismo da Serra da Estrela - «Assistimos a medidas que podem contribuir para a morte do sector turístico»

O presidente do Pólo de Desenvolvimento Turístico da Serra da Estrela, Jorge Patrão, considera que Portugal está «sem estratégia política» para o turismo e que nos arriscamos «a que este sector morra em pouco tempo». Na Bolsa de Turismo de Lisboa (BTL), a região promove o turismo cultural, um produto que tem vindo a desenvolver para combater a sazonalidade associada à neve, o produto mais procurado.

Sara Pelicano | domingo, 4 de Março de 2012

Aldeias Históricas, Rede de Judiarias, Centro de Interpretação da Serra da Estrela, Aldeias de Montanha são alguns dos trunfos que o Pólo de Desenvolvimento Turístico da Serra da Estrela apresenta em Lisboa até 4 de Março.

São produtos que permitem «quebrar a sazonalidade da região», avança Jorge Patrão. «Um dos factores de mudança da Serra da Estrela foi a ampliação enorme da oferta hoteleira que em pouco mais de dez anos levou o número oficial de dormidas a subir de 150 mil para mais de 600 mil (número de 2009). Outro dos aspectos que contribui para este crescimento prende-se com a colocação no mercado de equipamentos que têm a ver com a identificação da Serra da Estrela ou que tenham a ver com turismo cultural como é o caso do Museu dos Descobrimentos, Museu Judaico, Museu do Pão. São salas de visita para esses 600 mil que estão nos hotéis e turismo em espaço rural», acrescenta o presidente do Turismo da Serra da Estrela.

Um dos projectos apresentados na BTL é as «Aldeias de Montanha», uma iniciativa que tem o seu embrião em Seia. «As Aldeias de Montanha equivale à criação de uma rede que pretende oferecer ao mercado um conjunto de localidades com característica de montanha que existem na maior cadeia montanhosa de Portugal. Esta rede está a ser estruturada a partir de aldeias em Seia. Temos aqui a aldeia do Sabugueiro, por exemplo, que é a mais alta de Portugal. Queremos vincar o carácter cultural e turístico da montanha para assim poder ajudar a desenvolver a oferta turística e criar valor económico para as próprias aldeias», refere Jorge Patrão.

É também nesta região que nasce a aposta no património judaico nacional, uma iniciativa que alastra agora a todo o país. Criou-se já uma Rede de Judiarias portuguesas que integra 23 municípios desde Bragança até Évora. Para Jorge Patrão, todas estas iniciativas podem «atrair quer o mercado interno quer o externo», mas «estamos neste momento sem uma política de turismo do ponto de vista externo».

O responsável adianta, ao Café Portugal, que «assistimos a medidas que podem contribuir para a morte do sector turístico. Bons mercados emissores como é o caso do espanhol, aquilo que fazemos é barrar a fronteira com portagens caríssimas que inibem o turista de entrar em Portugal, este é um exemplo». Jorge Patrão afirma: «arriscamo-nos a que este sector morra em pouco tempo».

Sobre a proposta da Secretaria de Estado do Turismo em reduzir as actuais cinco entidades regionais de turismo e seis pólos de desenvolvimento turístico para apenas cinco regiões, correspondentes às Unidade Territorial Estatística (NUT) II, ou seja, Norte, Centro, Vale do Tejo, Alentejo e Algarve, Jorge Patrão diz: «parece que as estratégias deste país se resumem a cortar nas marcas como Douro, Serra da Estrela. Estas NUT II não foram criadas com propósitos turísticos, não são vendáveis». E questiona: «o que se ganha com o fim de marcas turísticas, para mais numa altura em que as mais fortes, como Algarve e Madeira, estão em quebra abrupta?».

Para Jorge Patrão, a reorganização do sector tem de passar por «dar às marcas mais autonomia turística e assim contribuírem para uma marca global que é Portugal».

 

  

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