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Sines - Sons tradicionais portugueses ganham fôlego no Festival Musicas do Mundo

Até 25 de Julho as sonoridades do mundo chegam a Sines. O Festival Músicas do Mundo (FMM), na 11ª edição, é palco para os mais variados grupos. Este ano, Portugal ganha uma representação reforçada, com a música tradicional a ganhar uma nova dimensão. Conservando a história, conquistam-se novas sonoridades, aos instrumentos e acordes da herança musical. Adapta-se esta e chega a um público mais alargado. O Café Portugal falou com um membro da organização do FMM, Carlos Seixas, para conhecer este encontro musical.

Café Portugal | sexta-feira, 19 de Junho de 2009

Café Portugal - O Festival Musicas do Mundo comemora este ano o décimo primeiro aniversário. Há novidades? Quais?
Carlos Seixas -
O FMM é um festival de descoberta de novos músicos e projectos, de outros esquecidos pela máquina do negócio e memória viva da diversidade na música. Esta edição dá continuidade às anteriores e apresenta cerca de 20 novos projectos em estreia nacional. Destaca-se também a presença em palco de alguns nomes maiores da música mundial como Chucho Valdés, James Blood Ulmer, Debashish Bhattacharya, Lee Scratch Perry e Cyro Baptista. Paralelamente aos concertos há iniciativas complementares como oficinas para crianças, conversas com artistas, oficinas de instrumentos, uma exposição de fotografias retrospectiva dos 10 anos do festival, animação de rua, sets de dj’s, a Rádio FMM ao Vivo e um encontro com os escritores Mia Couto e José Eduardo Agualusa.

CP - A música dos quatro cantos do mundo chega ao litoral alentejano em Julho. Mas centremo-nos na música portuguesa. O que se pode esperar? Quais os grupos presentes e o que têm para oferecer aos espectadores?
C.S. -
Curiosamente esta edição é seguramente na história do festival, aquela que apresenta um maior número de projectos portugueses. É significativo e revela a boa saúde que a música feita por músicos nacionais está a atravessar. Desde os mais consagrados, como Janita Salomé, até aos mais novos, como o caso dos Melech Mechaya, podemos ver nos vários palcos, os inovadores Oquestrada - com o seu primeiro disco editado há dias e são voz frequente nas rádios nacionais, Assobio - do multi-instrumentista César Prata e que faz brilhar a tradição renovada, Trilhos - quarteto liderado pelo sineense Rui Vinagre e que abre novos caminhos à guitarra portuguesa, Carmen Souza - uma compositora de origem caboverdiana ainda pouco conhecida em Portugal mas já com uma carreira brilhante lá fora, e Paulo Sousa - exímio instrumentista do sitar indiano.

CP - A música tradicional portuguesa é bem tratada pelos músicos nacionais?
C.S. -
Claro que sim. Já respondi em parte há pouco. Proliferam projectos inovadores e de qualidade se inspiram na música de raiz tradicional e que são portadores de uma visão original e de futuro para o caminho da música portuguesa. Novas estéticas, utilização de novas ferramentas e instrumentos, disciplina e vontade de mudança num profissionalismo emergente e consistente, génio e espírito de aventura. Recomendam-se os músicos, recomenda-se a novidade.

CP - Lá fora, Portugal é reconhecido pela sua música?
C.S. -
É o fado senhores, é o nosso fado. Mas não o destino felizmente. Não há uma estratégia nacional de divulgação e promoção da música e dos projectos portugueses, por exemplo, em feiras e em fóruns internacionais. Tudo depende da vontade e do entusiasmo de meia dúzia de carolas, agentes, distribuidores, músicos e promotores, que provocam a curiosidade e o gosto nos seus pares de outros países. Pavilhões ou stands financiados pelos nossos institutos governamentais em eventos internacionais, salvo raras excepções, só de vinho verde e cortiça, ou então, passe a expressão, para venda de pedaços de sol e areia fina, infelizmente cada vez mais escassos.

CP - Há cada vez mais grupos que pegam no tradicional e imprimem novas sonoridades. De que forma contribuem estes músicos para a preservação da música portuguesa e para a sua divulgação?
C.S. -
Enquanto memória colectiva, faz parte de um património imaterial inalienável que se deve preservar. Mas a música é uma arte em constante movimento, evoluindo como objecto de desejo, provocadora e contestatária no seu conceito e síntese geracional na sua estética. Os músicos cumprem o seu compromisso com a história e com o seu tempo.

CP - Ao longo destes dez anos, o FMM tem vindo a ganhar notoriedade. Hoje falar de Sines é falar também do FMM e vice-versa. Qual a importância do festival para o desenvolvimento turístico quer de Sines quer de Porto Covo?
C.S. -
O impacte económico e turístico na região é muito importante e, seguramente, contribui para uma imagem prestigiante e positiva do concelho. O FMM conseguiu visibilidade e consenso junto dos órgãos de comunicação social nacionais e internacionais, é elogiado além fronteiras pelos artistas participantes e pelos seus pares europeus. Milhares e milhares de amantes da boa música de norte a sul do país e provenientes de países vizinhos convergem em Sines para um encontro feliz e até agora bem sucedido.

CP - Se tivesse de descrever o FMM para conquistar visitantes, como o faria?
C.S. -
Mobilizador e pertença de uma cidade culturalmente aberta à diferença, que recebe e acolhe como família artistas de todo o mundo e um público fraterno e conhecedor, o FMM não deixa de surpreender e uma multidão é feliz em Sines naqueles dias de verão. Alguns apelidam-no de festival modelo e pioneiro, outros formulam e gritam críticas duras e apaixonadas lamentando opções de programação, todos sugerem os seus projectos preferidos para futuras edições. Mas ninguém fica indiferente. Depois de 10 anos de vida, centena e meia de concertos vistos e sentidos por cerca de trezentos mil espectadores, depois de alguns tiros no pé e de muito boas surpresas partilhadas, a cumplicidade gerada entre o FMM e o público continua viva. Tudo indica que há paixão. Queres partilhá-la? Vem até à festa pá!

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