A Aldeia de Talurde perde-se na Serra de Silves, no Algarve. É aqui, em terras que a partida de população fadou à desertificação, que Luís Sequeira continua a produzir medronho e mel. Destilador e apicultor são as profissões que herdou da família e que dá seguimento introduzindo novos produtos no mercado.

A adega, instalada numa casa que remonta ao século XVIII, é o cenário para o trabalho deste pequeno produtor. «Planto e apanho o medronho quando já está maduro. Em seguida deixo-o fermentar e fica a estagiar umas três semanas», diz Luís Sequeira.
«Depois passa a fase da destilação que só eu é que faço. Sou muito chato nisso», afirma em jeito de brincadeira, deixando revelar vícios ganhos numa actividade que exerce há 20 anos.
À aguardente tradicional, Luís foi juntando sabores algarvios. Primeiro reuniu o licor do medronho ao mel que ele mesmo produz. Mais tarde, juntou um pouco de chocolate e nasceram bombons. «São os mon cherry à algarvia», brinca com notado orgulho pela invenção.
Recentemente, recorreu à batata-doce de Aljezur, terra algarvia também, para fazer o licor do Verão 2010. Nestas invenções, Luís Sequeira conta com a ajuda da Universidade do Algarve, nomeadamente o Laboratório de Enologia que presta apoio no controlo de qualidade de bebidas alcoólicas produzidas no Algarve e Baixo Alentejo
Por este laboratório já passaram outras experiências de Luís como aguardente de figo e alfarroba.
A produção anual da empresa Aguardentes LS é de cerca de dois mil litros, resultante dos medronheiros que a família possui numa área superior a dez mil metros quadrados.
O escoamento do produto faz-se sobretudo a nível nacional, mas também marca presença além-fronteiras, muitas vezes com o apoio da «Direcção-geral de Agricultura e Pescas», conclui Luís.