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Felgueiras - Do cavaquinho à viola medieval, sem António não há cordas para tocar a dança

Tem 57 anos e há 40 que se dedica à construção e restauro de instrumentos de cordas tradicionais portuguesas. António Faria Vieira, natural de Felgueiras faz de tudo: dos cavaquinhos aos bandolins, passando pelo banjo e viola medieval. Os objectos que os músicos adquirem na sua loja saem perfeitos das mãos calejadas de António que, garante, «faz disto a sua vida» e se um dia lhe faltarem os instrumentos, o artesanato de Felgueiras «ficará mais pobre». O país também?

Ana Clara | segunda-feira, 19 de Julho de 2010

«São os músicos que valorizam o nosso trabalho. Sem eles, eu não existo. São eles os meus principais clientes e que dão valor ao trabalho que fazemos», começa por dizer António Vieira, referindo-se ao mundo de guitarras, bandolins, cavaquinhos, banjos, violas que construiu ao longo de quatro décadas.

Uma arte de construção e restauro que, como refere António Vieira no decurso da sua presença na Feira Internacional do Artesanato de Lisboa, mesmo nos tempos que correm, em que a crise lavra no Vale do Sousa, «até tem tido muita sorte». Uma boa fortuna extensível à venda dos instrumentos.

«Tenho bastantes clientes, a maior parte, músicos, como calcula. Há muita gente que consegue viver do artesanato e trabalha muitas horas. Não é, contudo, uma actividade muito rentável», afiança, acrescentando que, não obstante, vive dos frutos deste negócio.

Felgueiras é conhecida no país pela cultura tradicional dos instrumentos de corda, que constituem uma «riqueza artesanal» do concelho do distrito do Porto, como recorda António Faria Vieira. Pelas suas mãos já passaram milhares de instrumentos de corda quer na construção, quer no restauro. O artesão salienta os cavaquinhos, as rabecas chuleiras, as violas braguesa, a campaniça e a amarantina; os bandolins se sereia, de pau, o guitarrilho; a guitarra de Lisboa, a de Coimbra. Uma infinidade de peças tratadas com o saber e com o carinho de quem dedica todo o seu tempo à arte de construir bojos, braços, leques, cavaletes, de passar as cordas, de encontrar as escalas para, finalmente, retirar aos instrumentos a música.

«Na minha terra ainda resistem muitos artesãos que fazem os cavaquinhos, as violas e outros instrumentos de corda», conta António.

De todos os instrumentos que executa, António destaca a viola medieval, uma réplica do século XVII, que utiliza nos seus trabalhos, e que se baseia em figuras catalogadas da época. «O que faço é ir buscar a forma da viola medieval e adapto uma afinação própria», revela.

Entre os vários materiais que usa na construção destes objectos, António destaca as madeiras, como a nogueira, a cerejeira e o plátano. «São os que utilizo mais», diz, realçando que o cavaquinho é o instrumento que demora «menos tempo a fazer», cerca de 12 horas.

Para divulgar o seu ofício, o artesão criou um blogue onde publica as mais variadas fotografias dos instrumentos que lhe saem diariamente dos dedos. 
Sobre apoios, refere que «infelizmente» são nulos. «Nem autarquia nem nenhum outro organismo me apoia», lamenta.

Por fim, recorda a importância deste tipo de ofício não só para o concelho de Felgueiras e região norte como também para a cultura portuguesa: «enquanto formos vivos ainda vamos fazendo, mas quando deixarmos de ter mãos e cabeça para isto, não sei como será. Os novos querem outras músicas. 

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Comentários Comentários (1)
terça-feira, 20 de Julho de 2010 | Rui Moniz
Pois é sr. António, para quê que o vão apoiar? se o sr. um Artista, com a arte de construir algo, que tem de pagar impostos, se os comercializar, se os tem de sustentar, produzindo, acha que são loucos, apoia-lo? Poderiam e deviam, apoiar, levando a todo o País, a sua arte. Mas os chulos não vêem assim
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