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Porto - Na Casa Chinesa «o tempo passa, as coisas boas ficam»

Chá para o colesterol, insónias, diabetes e outros problemas de saúde. Semente da longevidade. Leguminosas portuguesas, mas também tibetanas, mexicanas, japonesas. Bolachas do Brasil, também de muitos outros países. Se existe, encontra na Casa Chinesa, no Porto. A loja centenária não tem raízes orientais, mas tem alimentos dos quatro cantos do Mundo.

Sara Pelicano | quarta-feira, 28 de Julho de 2010

Na portuense Rua Sá da Bandeira abriu, há 70 anos, no número 343, a Casa Chinesa. Um nome que pode levar ao engano: o estabelecimento é o «avô» das, agora, tão na moda lojas chinesas. «Aqui ninguém tem os olhos em bico», brinca sem ponta de maldade Eugénio Teixeira, sócio-gerente da Casa Chinesa. Existe um outro sócio que, aos 98 anos, já não colabora activamente no negócio que ganhou nome do país do Dragão «porque naqueles tempos consumia-se muitas especiarias e produtos do Oriente. Ora uma mercearia que os vendesse, normalmente, adquiria o nome oriental», acrescenta o nosso interlocutor, enquanto ajeita os óculos.

Uma loja que vende de tudo dentro do ramo alimentar. «Temos uma variedade muito grande de leguminosas. Chegam de todo o Mundo. México, Chile, Tibete, Japão», diz Eugénio Teixeira. «O nosso cliente sabe que encontra de tudo, mas sabe sobretudo que aqui encontra qualidade e conselhos para aplicar os produtos», afirma Eugénio Teixeira. A mais recente novidade, que tem atraído clientes, é a baga de Goji, vinda do Tibete. Segundo Eugénio, esta baga traz promessas de longevidade. A visita de um cliente interrompe momentaneamente a conversa. Fazemos uma incursão pelos corredores formados por altas estantes repletas das mais comuns sementes de abóbora até aos produtos mais estranhos, vindos de todos os continentes. Chás, bolachas, sementes, queijos. Uma multidão de cheiros indecifráveis, intensos, que nos confunde.

Pequenas cartolinas coloridas marcam o preço e deixam mensagens aqui e ali: «nós somos diferentes», «o tempo passa, as coisas boas ficam nesta casa». «Aqui parados temos sempre o cérebro a funcionar». É com esta frase que Eugénio retoma a conversa: «faço muita investigação. Procuro, procuro, até ter aqui tudo o que o cliente pode querer e não encontra em mais lado nenhum». A casa, que no toldo amarelo com letras desenhadas, fazendo lembrar caracteres chineses, inscreve o ano de 1938, tem evoluído no tempo. A introdução de produtos macrobióticos, vegetarianos e biológicos é exemplo desse acompanhar dos anos e das tendências.
 

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