Miranda tem mistérios e histórias.
Aguça curiosidades e provoca estranhezas. Aquele apego a uma língua que só eles sabem, aquelas danças guerreiras puladas de saia e paus, aquela forma primitiva de fazer a posta, aquele orgulho pelos burros lanudos, aquela ânsia de voo que faz dos pombais um dos mais importantes sinais da sua arquitectura rural, aquele modo de resistir no planalto...
E, depois, são as paisagens. Que tanto podem ser de planura a perder de vista como escarpadas de arrepiar a espinha. E lá em baixo o Douro, que as barragens vieram amaciar mas não domesticaram. E a música, sempre a música - de flauta, de tambor ou caixa de guerra, de gaita de foles... mas também lengalenga, ladainha, coro de mulheres cantando rimances ou rezas.
Um pedaço de riqueza de um Portugal «despaísado».
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