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Viseu - «Vai uma castanha doce?»

Viriatos e castanhas doces espreitam em cada confeitaria de Viseu. A pastelaria Amaral, uma das mais antigas da cidade, ainda confecciona esta doçaria recorrendo a conhecimentos ancestrais. Nas aspirações do doceiro José Carlos ferreira doceiro está a construção de um museu do açúcar.

Sara Pelicano | terça-feira, 16 de Junho de 2009

No largo Mouzinho de Albuquerque, próximo do centro histórico de Viseu, o Teatro de Viriato homenageia, em nome, o líder dos Lusitanos do século II a.C. O local é palco para muitas histórias encenadas e ele próprio, protagonista de outras. No Teatro Viriato desenrola-se parte do enredo de “Amor de Perdição”, obra de Camilo Castelo Branco. Soa o grito: «venham, venham conhecer a minha casa!». O convite capta o olhar. Este depara-se com uma jovem, abraçando uma cesta e a trajar ao século XIX. Dentro da cesta espreitam, douradas, com a promessa de delícia, as castanhas doces. A jovem é Teresa de Albuquerque, a protagonista de “Amor de Perdição”.

Ao convite segue-se a entrega de uma castanha doce, um adoçar do visitante antes de percorrer os espaços onde se deu a trágica história de amor proibido entre Teresa e Simão. Assim, percorremos os corredores da Casa do Arco, associada muitas vezes aos Albuquerques da obra camiliana. No cesto há, ainda, castanhas. Algum tempo depois, já à saída, desapareceram todos os pequenos doces de ovos, com o formato do fruto seco que lhe empresta o nome. Teresa de Albuquerque fica na sua casa a reviver o «Amor de Perdição», narrativa que dá a origem a uma rota turística pelas ruas de Viseu.

Um pouco mais à frente do largo Mouzinho de Albuquerque, está a Casa das Bocas. Aqui terá nascido o doce que Teresa nos ofereceu. Uma criada da casa, para aumentar as suas economias, inventou o pequeno doce de ovos, cozido em tachos de cobre, começando a vendê-lo em feiras. As castanhas agradaram e as encomendas foram crescendo. Nasceram, então, as castanhas doces de Viseu, confeccionadas, também, em outras regiões do país. A receita mantém-se intacta até aos dias de hoje. Quem o garante é o doceiro de uma das mais antigas pastelarias de Viseu, José Carlos Ferreira. «O senhos Amaral, o antigo dono da pastelaria era familiar da criada da Casa das Bocas e herdou a receita das castanhas doces», conta o também gestor da pastelaria Amaral. «Entrei aqui miúdo e gostei disto. O senhor Amaral ensinou-me todos os segredos e, quando se reformou, adquiri o negócio dele, que mantenho com as tradições que a doçaria exige», acrescenta José Carlos. 

«As castanhas são todas confeccionadas por mim, como o Sr. Amaral me ensinou. Açúcar, ovos e água são os únicos ingredientes que cozem depois em tachos de cobre», explica, acrescentando: «Fazemos também Viriatos, um outro doce típico de Viseu. Temos até a patente deste doce».

Os Viriatos, muito provavelmente relacionado com o guerreiro e estratega que combateu os romanos em terras lusitanas, «são menos doce do que as castanhas». Na confecção desta iguaria a mão de José Carlos tem o apoio da máquina, como comenta: «Compramos umas máquinas, mas fazem uma pequena parte do processo de confecção. E não adulteram, em nada a receita. O restante sou eu que faço e continuam a cozer em tachos de cobre».

Museu do Açúcar
O pasteleiro, por vocação como gosta de referir, revela ao Café Portugal um projecto que nasce aos poucos na cidade de Viseu: o Museu do Açúcar. «Será semelhante ao Madame Tussauds, mas aqui as figuras não são de cera e sim de açúcar». O referido museu, localizado em Londres, expõe diversas personalidades construídas com cera. A rainha Elizabete II de Inglaterra, Elvis Presley e Barack Obama são alguns dos exemplos em exibição na capital inglesa. No final de 2010, chegam a Viseu em forma de açúcar, dando vida ao Museu do Açúcar. «A Câmara Municipal já disponibilizou o terreno (cerca de 1800 metros quadrados). Vamos agora começar a construir o edifício. Sabemos já que terá uma zona de vidro ao centro», relata José Carlos, um dos impulsionadores do projecto. «Queremos que as pessoas circulem em volta dessa zona de vidro. Enquanto vêem a exposição, nesse espaço estará em construção uma personagem para que as pessoas assistam ao processo», conclui, entusiasmado com a iniciativa que acredita estar concluída no final de 2010.

  

Comentários Comentários (1)
domingo, 4 de Abril de 2010 | jorge palma
eu acho o senhor ze carlos uma pessoa que tem trago muito a cidade de viseu acho-o um homem fantastico
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